
Na tarde da última sexta-feira, 12 de dezembro, a Editora UEMG promoveu a live “Inteligência artificial e periódicos científicos: desafios, limites e responsabilidades", transmitida ao vivo pela TV UEMG, canal da universidade no YouTube.
O evento contou com a abertura da coordenadora da EdUEMG, Gabriella Nair Noronha, que recebeu o público presente e destacou o histórico da Editora na promoção do acesso à informação qualificada. Ela passou a palavra para Amanda Tolomelli – doutora em Educação, professora efetiva da FaE/UEMG na área de mídias, mediação e tecnologias na educação e integrante do Conselho Editorial da EdUEMG –, que ficou responsável pela mediação da live.
Inicialmente, a professora Carine Webber (UCS) apresentou como funciona a inteligência artificial (IA) generativa, demonstrando que ela não é um agente epistêmico em si, mas um sistema que reproduz padrões e cálculos pré-definidos pela atividade humana. Por isso, ao mesmo tempo que sinalizou para as potencialidades do uso da IA na atividade acadêmica, chamou atenção para seus riscos, que incluem a redução da diversidade de perspectivas, o risco de plágio não reconhecido e as implicações legais e regulatórias.
Para reforçar a urgência de encarar esse debate com responsabilidade e rigor, a doutora em Ciência da Computação – que, atualmente, está como professora e pesquisadora visitante no Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA) – encerrou sua fala com uma frase atribuída ao filósofo Marshall McLuhan, que diz: “Nós moldamos nossas ferramentas, depois nossas ferramentas nos moldam”.
Em seguida, o professor Robson Cruz (PUC Minas) discutiu o papel cognitivo do trabalho manual na escrita e na vida acadêmica, apontando os limites desse tipo de inteligência que se afirma como artificial. Em sua contribuição à live, o doutor em Psicologia trouxe um apanhado histórico sobre como as tecnologias humanas se relacionam com a presença da dimensão corpórea, apresentando os estudos realizados por ele sobre a escrita à mão e associando-os ao fenômeno de composição com a IA.
Ele ressaltou a importância de esse processo de produção do conhecimento científico que passa pela escrita ser feito com a “inteireza do corpo” (e não “puramente” pela atividade racional). O professor complementou ainda que “há na inteligência humana dimensões filogenéticas, ontogenéticas e culturais” que uma máquina nunca poderá experienciar.
A partir das exposições dos palestrantes e das dúvidas e provocações do público, seguiu-se um debate sobre a aplicação da IA no cotidiano universitário, os desafios educacionais e a relevância do pensamento crítico. No diálogo com as pessoas presentes ao longo da transmissão, também foram pontuados alguns recursos que a IA pode oferecer no contexto dos periódicos científicos e a pertinência de se pensar em alternativas que não reforcem lógicas históricas de exclusão que já marcam a sociedade brasileira.
Caso queria reassistir as discussões da live, o vídeo está disponível no canal da TV UEMG e pode ser acessado pelo link: bit.ly/live-ia-e-periodicos.

